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Com
a chegada do verão, Salvador entra em clima de festa e começam
as festas de largo por toda a cidade. As lavagens se tornam
muito comuns e milhares de pessoas acompanham os festejos que,
na maioria das vezes, estão impregnados de conteúdo religioso.
Depois da Lavagem da Igreja da Conceição da Praia, acontecimento
que praticamente abre o calendário de festas de largo de Salvador,
ocorreu na quinta-feira (11/01) a Lavagem do Bonfim. É a festa
de Oxalá, divindade do Candomblé e protetor de muitos baianos.
Todo mundo na Bahia quando precisa realizar alguma coisa importante
reza para o Senhor do Bonfim.
Então,
na segunda quinta-feira do mês de Janeiro as baianas (de acarajé)
saem em procissão com seus jarros repletos de água perfumada
para prestar esta homenagem lavando as escadarias da Igreja
do Bonfim. Isto ocorre na parte da manhã e durante todo o resto
do dia, inclusive varando a madrugada, a parte profana da festa
acontece nas imediações da Igreja.
Há alguns anos atrás esta festa era o espaço que as entidades
carnavalescas tinham para fazer uma prévia do Carnaval. Entretanto,
a igreja reivindicou à Prefeitura que proibisse os trios elétricos
na Lavagem. Inclusive este é um dos fatores que hoje consolidaram
o sucesso do Farol Folia. Os trios começavam o desfile na Avenida
Contorno (local bem distante da Igreja do Bonfim), mas não chegavam
nem perto da Igreja.
Hoje uma Marina construída as margens da avenida sedia o chamado
Bonfim Light que este ano teve como atrações o Terra Samba,
Ricardo Chaves e a Timbalada. Esta festa virou a opção daqueles
que não encaram o longo trajeto até a Igreja, uma vez que não
é nem um pouco fácil alcançá-la de carro.
Mas quem tem fé e coragem aparece para ver as ruas do Bonfim
tomadas por mesas e gente bebendo cerveja. Há muitas famílias
também. Entretanto com o cair da noite não é aconselhável permanecer
no Bonfim, pois o número de brigas e assaltos aumenta consideravelmente.
Como na Bahia tem para todos os gostos, até na Lavagem do Bonfim
tem festa alternativa. E rola do lado da Igreja (a vista lateral
é muito bonita) na varanda da casa do Morotó - guitarrista do
The Dead Billies. Há cinco anos que o espaço da varanda serve
de palco para o show do Dead Billies. E o público curte o som
na rua mesmo. Fica tudo interditado.
Nste ano o vocalista da banda não apareceu na festa. Ainda assim
a galera em frente da casa não desistiu de ouvir o som. Logo
foram aparecendo outros músicos que fazem a cena rocker em Salvador
e rolou cover do Stooges (I wanna be your dog), Sonic Youth
(100%), Rolling Stones, The Animals, Lening Kravitz etc. Não
precisa nem dizer que a galera curtiu adoidado. E estava todo
mundo doido mesmo. Todo mundo pulando e cantando rock n'roll
em plena Lavagem do Bonfim. Curioso é ver as pessoas que não
ouvem rock impressionadas com a alegria e espontaneidade deste
movimento alternativo.
Nota: correm boatos que o The Dead Billies fez o seu último
show um dia depois da Lavagem do Bonfim. Eu estava no Largo
de Santana (onde fica o famoso acarajé da Dinha) e depois segui
com uns amigos para frente dos Bares Anexo e Café e Cultura
no Rio Vermelho. São cinco minutos andando. Ambos estavam com
a sua capacidade lotada. O jeito foi ficar de fora tomando cerveja
e curtindo o show do Dead Billies. Se foi o último eu não sei.
Mas sei que tinha muita gente na porta do bar e a polícia teve
que controlar a galera que já estava atrapalhando o trânsito
normal dos carros na rua.
Gabriel
Raykil
Correspondente do W73 em Salvador
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