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Festival de Verão de Salvador - 2001


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O Festival de Verão de Salvador foi um verdadeiro sucesso. Os shows aconteceram entre 31/01 e 04/02 e a Bahia pôde presenciar inúmeras surpresas.

Talvez a grande sacada da organização do evento tenha sido o fato de ter-se aberto espaço para que a diversidade de estilos pudesse se mostrar.

Pode-se dizer até que trata-se de algo que vem se consolidando a cada ano. Já nas edições anteriores do Festival foi dado espaço, ainda que de forma tímida, para os diferentes estilos.

Este ano ouviu-se de tudo: MPB, Rock, Surf Music, Reagge, Funk, Hip Hop, Pop, Axé-music, Pagode etc.

Foi possível ver Caetano Veloso cantando ao lado do Xande do Harmonia do Samba, Carlinhos Brown pulando pra valer no palco junto com Chico Buarque (fato memorável: Chico parecia uma criança de tão feliz que estava), a galera da Axé-music mostrando o que de melhor vai rolar no Carnaval, 4 bandas da Austrália, Campeonato de Skate (modalidade street), Empório Brasil (Mundo Mix) etc.

Araketu, Cidade Negra, Asa de Águia, Skank, Pavilhão 9, Chiclete com Banana, Capital Inicial, Daniela Mercury, Raimundos, Jota Quest, KLB, Charlie Brown Jr., Penélope, Timbalada. Todos estes foram responsáveis para que milhares de pessoas fossem ao Parque de Exposições em busca de música. Isso sem falar nos outros artistas: mais de 60 atrações ao todo. Muitas horas de música e muita gente bonita circulando e paquerando no Parque. Tudo tranqüilo e bem organizado.

"Democracia. Isso é lindo". Foi o que disse o guitarrista dos Raimundos, Digão, quando perguntaram aos integrantes do grupo se eles não tinham ficado apreensivos de tocar entre os shows de Daniela Mercury e da Banda Eva na quarta noite do evento.

Nada mais certo do que se abrir espaço para a diversidade. E ainda mais esta época do ano em que a cidade está cheia de turistas do Brasil e do mundo. É gente de todo lugar que chega a Salvador e traz consigo os mais diferentes gostos e expectativas.

Quinta-feira (01/02), palco principal, o Gangajang, abriu a noite para o público que, infelizmente, ainda estava chegando ao festival. A galera ainda não se acostumou a sair de casa mais cedo. Quem não se programou perdeu um ótimo show.

A questão que fica no ar é saber por quê se convida uma banda da Austrália e de tão boa qualidade para tocar apenas 40 minutos. Pois é, foi o que aconteceu. Os caras fizeram um bela apresentação e deixaram todo mundo com água na boca. Pequena falha da organização do Festival.

Depois da apresentação dos australianos, o palco foi preparado para o show do Rappa rapidamente. Tudo muito organizado. E o que parecia é que boa parte das pessoas que apareceram no Parque de Exposições na quinta-feira foi para ver o show do Rappa. E os caras não decepcionaram. Entraram no palco fazendo uma honrosa homenagem a Marcelo Yuka, recentemente baleado no Rio de Janeiro. Abriram o show com "Lado B Lado A" e ninguém ficou parado. Havia uma expectativa muito grande em relação a como se daria a performance da banda sem o Yuka. Mas a banda mandou o som que o público tanto esperava. E todos curtiram.

A grande surpresa dessa noite ficou por conta do Yothu Yindi, banda australiana, que detonou um som empolgante trazendo em sua formação dois aborígenes. A banda toca com alguns instrumentos nativos e impressionou bastante a galera em Salvador. Um som de primeiríssima qualidade. As pessoas que não conheciam saíram falando muito bem do show. O público se identificou com o som e pode-se dizer, sem medo, que Salvador tem afinidade musical com a Austrália: simplesmente tem tudo a ver.

Assim provou também o Spy vs. Spy que não interrompeu o show um minuto se quer. Os caras tocaram o melhor do rock australiano para fechar a noite do Festival com chave de ouro. Na edição anterior do Festival teve o som do Men at Work, este ano o Spy vs. Spy. Quem sabe em 2002 não aparece por aqui o Midnight Oil? É esperar pra conferir.


Gabriel Raykil
Correspondente do W73 em Salvador

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