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SÃO
LUÍS PATRIMÔNIO MUNDIAL, PATRIMÔNIO
DA HUMANIDADE, REFERÊNCIA CULTURAL
PARA O MUNDO
Primeiro, foram os nativos, os viventes milenares desta ilha de Upaon-Açu,
como a chamavam os índios tupinambás. Depois, timidamente, os portugueses,
ao final do século XVI. Em seguida, os franceses fizeram a gênese da
França Equinocial que, apesar da sua curta duração, permitiu a instalação,
em 1612, da base física do que seria futuramente a capital do Maranhão,
a cidade de São Luís. Depois, os portugueses a retomaram, expulsando
os franceses e mais tarde, em 1644, os holandeses, que fizeram similar
tentativa de domínio.
Ocupando a ilha, desde então, os portugueses edificaram um escrínio
urbano que guarda até hoje jóias arquitetônicas que fizeram e fazem
crescer a admiração dos visitantes e o empenho de seus habitantes em
preservá-las. No Brasil, esse patrimônio acumulado em quase quatro séculos
representa o maior acervo de tradição urbanística e arquitetônica colonial
portuguesa, já reconhecido internacionalmente por vários especialistas.
O trabalho que estamos promovendo para preservar o Centro Histórico
de São Luís dá prosseguimento e amplia as ações que vários governos
realizaram anteriormente e que começaram na gestão do então governador
José Sarney, responsável pela vinda do primeiro consultor da UNESCO
ao Maranhão, em 1966, o arquiteto francês Michel Parent. Fruto dessa
ação pioneira vieram, em seguida, outros consultores da UNESCO, Viana
de Lima, em 1972, e já no meu governo, Júlio Angel Morosi, do ICOMOS,
arquiteto responsável pelo parecer aprovado pelo bureau do comitê
do Patrimônio Mundial em junho de 1997.
Trinta e um anos passados continuamos o trabalho, promovendo intervenções
criteriosas de restauro urbano e arquitetônico aprovadas pelo Ministério
da Cultura, o que é condição sine qua non e consubstancia um
dos fundamentos do processo de inclusão de São Luís na lista do Patrimônio
Mundial da UNESCO.
Esta inclusão significa o reconhecimento da mais importante entidade
cultural do mundo do nosso patrimônio e aos dedicados e qualificados
esforços pela sua preservação, o que inclui desde a recuperação de estruturas
e elementos arquitetônicos, até o restauro rigoroso de pinturas sacras
em forro de igrejas, de talhas, altares, retábulos, pinturas murais
e azulejos, além da renovação da infra-estrutura urbana e redes de utilidade
públicas. Uma obra exemplar, uma referência cultural para o mundo,
conforme afirmou o representante da UNESCO no Brasil.
Agradeço a todas as entidades, empresas e pessoas e, em especial, às
famílias residentes no Centro Histórico de São Luís, que contribuíram
para a preservação do nosso maior patrimônio cultural edificado, condição
essa essencial para a aceitação da proposta.
Com o reconhecimento pela UNESCO, integrando-a à lista do Patrimônio
Mundial, São Luís, pela sua inteireza, caráter e dimensão sócio-cultural,
passa, doravante, a ser patrimônio de toda a humanidade.
ROSEANA
SARNEY
Governadora do Estado do Maranhão, Brasil
São Luís, Capital do Maranhão, dezembro de 1997.
Expressão
do Maranhão
São
Luís, um dos segredos mais cativantes do Maranhão,
foi fundada pelos franceses. Mas foram os portugueses que, atraídos
por seus mistérios, transformaram-na em uma cidade apaixonante.
O charme e o encanto secular de seus casarões azulejados,
escadarias e mirantes mereceram da UNESCO o título de Patrimônio
da Humanidade. São Luís revela um novo segredo a cada
olhar.
As
ruas do centro histórico de São Luís ainda
mantêm o traçado original do século XVII. E
uma caminhada por entre as mais de 3 mil edificações
dos séculos XVIII e XIX, com seus azulejos, seus mirantes
e seus românticos postes, ainda transmite a mesma poesia da
época. Não é à toa que a cidade é
Patrimônio da Humanidade.
Entre
os segredos que podem ser descobertos nas ruas e becos de São
Luís, estão verdadeiras obras de arte, como as carrancas
da Fonte do Ribeirão e as preciosidades das pequenas lojas
de artesanato. Nos museus, como a Casa de Cultura Popular, o que
se descobre é uma cultura rica e criativa.
Beleza
que é Patrimônio da Humanidade
São
Luís tem um sabor único. Em restaurantes requintados
ou nas típicas "bases", pode-se aproveitar uma cozinha especialíssima.
Vale a pena experimentar os deliciosos peixes, camarões e
caranguejos à moda maranhense, o exótico arroz de
cuxá e as maravilhosas frutas e doces típicos da região.
Um
dos lugares onde a cultura é mais efervescente em São
Luís é o bairro da Madre Deus. Berço de inúmeras
manifestações culturais populares, suas ruas e praças
transformadas em arraiais são o centro das atenções
durante as Festas Juninas, a mais expressiva e alegre tradição
da cultura maranhense.
A
cultura popular é um dos segredos mais fascinantes do Maranhão.
As influências portuguesa, indígena e africana fizeram
dos maranhenses uma gente criativa e festeira. A riqueza cultural
expressa no bumba-meu-boi, tambor-de-crioula, cacuriá, dança-do-coco
e toda uma imensa variedade de ritmos e sotaques são mais
um segredo que o Brasil guarda no Maranhão.
Novos
segredos se revelam em toda a Ilha de São Luís. Na
pequena cidade de São José de Ribamar acontece uma
bonita celebração religiosa: a Festa de São
José de Ribamar, que atrai milhares de fiéis de todo
o Brasil.
Um
belo passeio de lancha leva o turista de São Luís
até a pequena Alcântara, que ainda guarda a magia dos
tempos em que era uma rica cidade do Império. Caminhar por
suas ruas de pedra é uma verdadeira viagem ao passado. Em
meio ao casario colonial, surgem ruínas de igrejas de casarões
e até de um palácio, que estava sendo construído
para hospedar o Imperador. Tudo isso é rodeado por fauna
e flora riquíssimas, a poucos quilômetros de uma moderna
base de lançamento de satélites. O passado convivendo
com o futuro.
Um lugar de beleza e magia sem igual
Os
casarões com suas fachadas de azulejos portugueses, as escadarias
e fontes e a riquíssima cultura popular, tudo isso à beira-mar.
São Luís é uma ilha de belezas que a história
guardou para você.
Dos 3.500 prédios tombados no Centro Histórico, 1.100 foram declarados
Patrimônio da Humanidade, em 1.997, pela UNESCO.
Dos
mirantes de igrejas e casarios enfileirados do Centro Histórico
avistam-se as modernas pontes que atravessam o Rio Anil e vão para
as praias, onde estão prédios altos, avenidas largas com lombadas
eletrônicas, calçadões e ciclovias que se espalham pelo extenso
litoral.
Faz
calor o ano todo, com temperatura que varia entre 25º e 30º C e
clima sempre úmido.
São Luís é uma das três capitais brasileiras situadas em ilhas. Separada
do continente pelo Estreito dos Mosquitos, abriga cerca de
um milhão de habitantes, na totalidade de sua área de 516 km2.
A Cidade dos Azulejos é famosa pelas suas ladeiras e ruas tortuosas,
com sobradões de imponentes telhados e também pela riqueza do seu
folclore e outras tradições culturais. Mas o que a sobreleva e encanta
é a gente, a simpatia do convívio, a fraternidade que se assenta
à mesa farta e deliciosa. A alma das ruas que nos contagia.
Antes de ir é preciso sentir São Luís que, das ruínas dos velhos
fortes aos azulejos que recobrem seus sobrados coloniais com românticos
mirantes solitários, passando por becos e ruelas, praças e logradouros,
é uma cidade que tem sempre uma história a contar. Ou melhor, muitas
histórias.
Mas só mesmo estando aqui, pode-se sentir porque São Luís é La petite
ville aux palais de porcelaine, aos olhos do visitante francês,
ou a cidade reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.
Sente-se,
num fim de tarde qualquer, em um banco de praça ou à beira mar,
entregue seu rosto à brisa soprada sobre a ilha pela constância
dos ventos gerais e um profundo sentimento de paz inundará seu espírito.
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