sexta-feira, 5 de março de 2010

BRASILIA : ORA POIS...!!! - Paulo Timm - (Lamentando discordar da opinião dos companejros...)]

BRASILIA , ORA POIS...!

                                                      " Ela deve ser concebida não como simples organismo capaz de preencher ,satisfatoriamente , sem esforço as funções vitais próprias de UMA CIDADE MODERNA QUALQUER, não apenas como URBS, mas como CIVITAS, possuidora dos atributos inerentes a uma Capital. (...) Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se , com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura das mais lúcidas do país."

                                    Lúcio Costa, na Apresentação do Projeto do Plano Piloto apresentado à Comissão Julgadora dos Projetos para a Nova Capital, 1957.

                   "Brasília é uma experiência única. Os autores dos projetos achavam que poderiam resolver os problemas do mundo em um projeto urbanístico".

               Aline Moraes  Costa, em tese de Mestrado em História das Artes na UNICAMP, SP,2002: (Im)Possíveis Brasílias

                                                      "Façamos o "supérfluo" agora. O necessário virá de qualquer maneira, no seu tempo".

                                   Juscelino Kubitschck, justificando as suntuosas obras da nova capital.                                                

"A criação de Brasília é um ato de afirmação humana que constitui  um acontecimento na história da humanidade. O Palácio da Alvorada rompeu com todas as colunas tradicionais dos últimos cinco mil anos."

                                   Arnold Toynbee, historiador inglês, 1966, em visita à cidade.

Vim diretamente de Ouro Preto à Brasília. Uma jornada de ontem para o amanhã, de conquistas antigas  às novas promessas"

                                   André Malraux, escritor francês.

                             

 

"É incrível como chegou rápido o momento em que ver e ser brasileiro não é mais possível sem a ótica de Brasília"

                                Paulo Emílio Sales Gomes em "Brasil ,Urgente",1963

 

                                                "Brasília é irreversível!"

                  General Castelo Branco, o primeiro titular do regime militar de 64-85, dando por encerrado os rumores de que o novo governo cogitava voltar atrás na questão da capital da República.

 

 

"Na história brasileira recente, o mais hábil criador de símbolos motivacionais foi o Presidente Kubitscheck... Se no caso do Programa de Metas e da Belém –Brasília ( que melhor se chamaria Belém-Santos) o valor simbólico superou o custo social, o mesmo não se pode dizer do terceiro símbolo, a mudança da Capital. A construção de Brasília não provocou a esperada – Marcha para o Oeste - , baixou a produtividade da administração e se transformou em foco inflacionário permanente, de vez que os gastos anuais de sua manutenção vêm representando, desde 1966, a quase totalidade de déficit federal"

                  Roberto Campos, in O globo de 22 de julho de 1970       

                                         

         " Já vi pessoas cassadas. Nunca vi cidades cassadas. Brasília é a única"

                        Tancredo Neves, em pronunciamento a favor da representação política de Brasília, em comício histórico na noite de 23 de outubro de 1981, ao lado de Lula, Ulysses Guimarães e Miguel Arraes.       

                     "JK, Você substituiu o vício da dor pela pedagogia do prazer."

                                        Cacá Diegues, Cineasta                      

                      "Loucos ou místicos, meu Deus, quem são esses personagens que  fazem Brasília girar em sentido contrário? "

                                 Dioclécio Luz, em O Roteiro Mágico de Brasília, 1986

 

 

                                                    ***

Brasília foi inaugurada, com grande repercussão na mídia da época,  no dia 21 de abril de 1960 como vértice dos Anos Dourados e símbolo das esperanças nacionais na construção de um novo país, moderno e democrático. Terminava o Governo de JK naquele ano. Em ritmo frenético, em três anos e meio, o cerrado se abria para sua maior ferida urbana, pouco sentida num tempo em que o clamor pelo progresso era muito maior do que o lamento ambiental sufocado sob as lagartas dos tratores. A "Meta-Síntese" do Plano de Metas - na feliz expressão cunhada, supostamente, por Santiago Dantas, logo após o comício no interior de Goiás, no início da caminhada histórica de Juscelino rumo à Presidência, quando um popular , o "Toniquinho", lhe encostou na parede indagando se iria cumprir a Constituição levando à cabo a transferência da Capital – estava consumada.

Ontem, dia 4 de março de 2010, faltando poucas semanas para o cinqüentenário da cidade, que já tangencia 2 milhões de habitantes, além de suas projeções metropolitanas,  Brasília volta , com grande intensidade, à mídia nacional, mas não para celebrar o orgulho dos brasileiros com seu feito marcante, transformado, pela UNESCO, em Patrimônio Cultural da Humanidade. Volta para enterrar o delírio cultivado por seu tresloucado Governador, José Roberto Arruda, também durante três anos. O "meio" (ano) , para equiparar-se ao tempo da construção da cidade, lhe será conferido para meditação atrás das grades... O Supremo Tribunal Federal decidiu negar-lhe o "habeas corpus", enquanto a Câmara Legislativa aprovou por unanimidade dos presentes, por 19 a zero, a abertura de seu processo de "impeachment" Como disse o jovem  Alexandre a seu pai, Felipe da Macedônia, que tropeçara num pequeno banco, caindo ao solo, quando corria em sua direção para aplicar-lhe uma reprimenda por uma  pública malcriação: " E ele queria conquistar o mundo..." . Curiosamente, estamos também hoje, no auge de um ciclo de euforia, com um Presidente da República em final de mandato, com mais de 70% de aprovação popular, graças, notadamente, à habilidade no manejo da economia, já moderna, numa conjuntura de grave crise internacional. Mas ninguém fala em "Meta-Síntese", nem ninguém se importa com o feito "Brasília", como símbolo do engenho e determinação do povo brasileiro. Já marcada como centro da endêmica corrupção dos costumes políticos no país, Brasília está, com e como o seu Governador, no pelourinho da des-graça, submetida ao crivo ácido de críticos mordazes. Um deles, Roberto Pompeu de Toledo,  colunista da Revista Veja, se compraz em crônicas depreciativas sobre a cidade que não conhece.  E no seu séquito multiplicam-se outros detratores. Não há jornal do país que não contemple, vez ou outra, um artigo ou editorial contra Brasília.  Nem mesmo o grande esforço da Beija-Flor na Sapucaí conseguiu recuperar a reputação da cidade, renovando-lhe a destinação como Capital da Esperança. A cidade parece condenada aos olhos da nação.Tanto quanto seu Governador.

Mas se esse é o olhar externo sobre a cidade, internamente, excitam-se e se exacerbam os ânimos como se fossem lanternas desencontradas na escuridão. A população parece estar divida entre os que desejam e os que lutam para impedir a Intervenção Federal, pedida pela Procuradoria Geral de República ao Supremo Tribunal Federal. Os intervencionistas alegam e apontam as metástases da máfia chefiada por Arruda.  A eles se associam os "desencantados" com a conquista da autonomia política da cidade, que levou, via Constituição de 1988, à eleição do Governador e dos representantes locais que compõe a Câmara Legislativa. Os não intervencionistas, mais cautelosos, o próprio PT local entre eles, através da palavra de dois de seus mais visíveis parlamentares , os deputados Cabo Patrício e Chico Leite, preferem a solução doméstica, menos traumática: A própria Câmara Legislativa elegeria, uma vez consumada a renúncia ou impeachment de Arruda - o que fica cada vez mais inevitável -, em pleito indireto, um Governador com mandato tampão até a posse do novo eleito, no dia 1º de janeiro de 2011.  

Particularmente, acho o debate e a divisão sobre a Intervenção inoportuno e equivocado. Digo-o sem rodeios, pois fui o primeiro cronista, logo no início da crise, com a Operação Pandora, da Policia Federal, a clamar pela Intervenção e cheguei a escrever dois textos intitulados , justamente, "A Caminho da Intervenção – I e II". Mas os fatos se sucederam. Veio a prisão de Arruda e seus mais próximos colaboradores, agora na Papuda. Paulo Octavio renunciou. A Câmara Legislativa pronunciou-se com severidade sobre a abertura do processo de cassação de Arruda. O Supremo decidiu pela sua permanência na cadeia. O esquema de sustentação do crime na grande mídia local, além dos 160 folhetins de qualidade discutível que eram mantidos a peso de ouro pelo GDF, desmoronou. Aliás, a Procuradoria já deveria ter entrado com Ação junto à Justiça determinando a suspensão de todo o tipo de publicidade do Governo local. A hora não é de propaganda, mas de reflexão. Ora, pois...

A Intervenção , ou melhor, sua "ameaça", cumpriu seu papel, ao pairar como espada de Dâmocles sobre a cabeça dos políticos locais. Agora ela se converteu em apelação. Pensa-se que, através da Intervenção, soterrar-se-á a influência desses políticos no próximo pleito, abrindo caminho para a liquidação de  influência deles sobre a cidade.  Ledo engano. Não há razão técnica que se sobreponha à razão política, por pior que ela seja. O Interventor governará, em primeiro lugar, em obediência aos imperativos políticos da Presidência da Repúbica, leia-se PT, num ano de acirrada disputa eleitoral. Em segundo, governará com os aliados possíveis, capazes de engendrar um mínimo de consenso sobre suas ações. E esses aliados são os políticos locais, até bem pouco tempo atrás, aliados do Arruda, como Tadeu Filipelli, do PMDB, tão leal a Arruda que traiu descaradamente seu mentor , Joaquim Roriz, obrigado a se refugiar num pequeno Partido, como fez, aliás, em 1990; Augusto Carvalho, do PPS, a turma do Senador Cristovam Buarque, do PDT, o pessoal do Rollemberg , do PSB, e até da simpática Marina Silva, do PV. Notícia do Correio Braziliense dá conta, a propósito, que todos eles já estão cinicamente reunidos e falando em "renovação", com uma chapa própria encabeçada por um deles. Em muitos casos, também, acha-se que a Intervenção vai reinaugurar Brasília como cidade meramente adminsitrativa. Trata-se aqui da pior inspiração possível, pois não se reinaugura o que já está inaugurado há 50 anos e não se administram, sem critérios políticos, conflitos acumulados durante todo este tempo. Quem pensa assim não conheceu a Brasília dos Governadores nomeados, uma cidade sufocada em sua escala política sob os argumentos da tecnocracia ou dos mitos da grande  "arte" de Lucio Costa e Niemeyer. Embora transformado em chavão, nunca é demais lembrar que a democracia é o pior dos regimes, embora não se conheça outro melhor. E se estamos com problemas com a atual representação política da cidade, não será voltando atrás no seu passado autoritário que iremos melhorar a situação. Mas aprofundando cada vez mais a presença dos bons na vida pública, nos Partidos Políticos, nos amplos e variados movimentos e redes  que hoje caracterizam o advento de novos agentes sociais no cenário político. A renovação consiste em varrer da cidade a representação que aí está falando em renovação mas que nada fez para impedir a escalada da metástase arrudista no governo local. Alguém , por exemplo, já se perguntou de onde vieram os 14 votos que aprovaram o Plano Diretor, pouco tempo atrás, na Câmara  Legislativa e que teriam proporcionado, segundo denúncia, a cada deputado distrital R$ 400.000,00? Consiste, também, a renovação na capacidade dos novos atores políticos para transformar o acontecimento da prisão do Arruda , que consistiu na abertura de uma brecha no sistema político contaminado, para uma abertura do próprio pensamento sobre a cidade, sobre sua natureza específica, suas contradições, suas alternativas. Como diria Foucault : Estamos diante de novos "acontecimentos" (...)que se constituem na "irrupção de uma singularidade única e aguda no lugar e no momento de sua produção" . Esta atualidade problematizada é uma borda do tempo que envolve nosso presente, que o domina, e que o indica como alteridade, isto é, como um entre diversos  caminhos.  Tal problematização, enfim, não é senão um modo de apropriação (deste) acontecimento através do questionamento de sua atualidade (e que) se constitui numa abertura do pensamento diante da abertura do acontecimento.

Isso posto, proponho que se discutam três questões básicas que hoje envolvem a crise política da cidade e que estão a exigir urgente resposta:

1.      Brasília: a cidade e a região – A experiência de Brasília consistiu na idéia de construir "uma cidade para uma região". Isso acarretou a primazia do físico sobre o sócio-econômico. A tal ponto que se fala em "cidade planejada(!)" embora  não exista nenhum órgão na administração do GDF voltado à práxis do planejamento, em seu sentido amplo, tal como existe o IPARDES, no Paraná, a Fundação João Pinheiro , em Minas Gerais, a Fundação de Economia e Estatística, no Rio Grande do Sul, ou o IPEA, em escala nacional. A CODEPLAN, que operou precariamente com tal função, não só foi o epicentro da roubalheira do Arruda, através do seu Presidente Ex-Delegado Durval B ( A que ponto chegamos...! E ninguém reclamou...) está virtualmente desativada. O acervo de mapas e informações estatísticas, bem como Planos e Estudos sobre a cidade, perdidos em algum desvão da administração. Mas planejar o quê? O Plano Piloto, o DF, a Região Metropolitana? E como compatibilizar isto com os aspectos institucionais? Devemos incorporar o Entorno Metropolitano ao Distrito Federal, criar o Estado do Planalto Central? Retomar, com o apoio do Governo Federal e a malfadada invenção combinada de Arruda-Augusto Carvalho , a Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno – RIDE ( Sim, Ride Palhaços...!, como na famosa peça do mesmo nome), a questão da consolidação da escala regional da cidade?

2.      Brasilia : Civis x Urbs – Brasília , desde o plano que deu origem, tem uma função simbólica como capital da República, através do exercício de sua função como capital da República, e outra estritamente comunitária, que lhe deveria dar apenas sustentação funcional, mas que se agigantou, tanto pelo crescimento da população , como, também, pela conquista da autonomia política. Como restabelecer esse equilíbrio com um mínimo de prejuízos. Por muito tempo pensava-se que bastava estancar a oferta de terras públicas , enquanto programas bizarros como o "Retorno com Cidadania", que consistia em  dar um banho nos pobres chegantes do Nordeste, ainda na Rodoviária , oferecendo-lhe um troco para voltar para os confins do sertão, onde se encheria de filhos, doenças e ignorância, afim de evitar o "inchaço" da cidade. Isso em plena Nova República, sob o reinado de Zé Aparecido no Buriti (Depois não sabem porque ele , de tão odiado, foi substituído por Roriz em 1988...) . Mas que fazer, agora? Só nos resta administrar politicamente o que aí está, com um mínimo de bom senso, o que não significa a mudança filosófica para um mundo novo de que nos falava Gramsci...

3.      Distrito Federal x Estado : A permanência do invólucro institucional Distrito Federal combinada com a realidade proposta pela Constituição de 88, de plena autonomia política, sem qualquer condicionante que salvaguardasse o caráter simbólico da cidade com capital federal e Patrimônio Cultural da Humanidade, está a exigir uma profunda reflexão. Distrito Federal é uma herança doutrinária da experiência americana que consistiu em vazar uma parte do território nacional de qualquer substância federativa com o objetivo de assegurar ali, a primazia dos interesses nacionais envolvidos na condição  capital. Rigorosamente, o Distrito Federal, a conservar tal institucionalidade, deveria abrir mão de sua representação política no Senado, que é o lugar de afirmação dos Estados Federados. Então, se não é Estado Federado, lá não deveria ter voto. Quando muito, voz, como no caso americano. Seria o caso, então, de transformar definitivamente o  DF em Estado? Exigir que o Plano Diretor, como peça de salvaguarda da condição-capital-Patrimônio da Humanidade fosse aprovador por uma das casas do Congresso Nacional? E quais as implicações dessa mudança? As cidades administrativas se transformariam em Municípios, o Orçamento do Governo do DF ficaria restrito, apenas, às transferências vinculadas e arrecadação de impostos de competência exclusivamente estaduais, o Fundo Constitucional que mantém Saúde, Segurança e Educação poderia cair. Tudo isto, enfim, deve ser sopesado. E não será um Interventor a fazê-lo. Mas nós, brasilienses, em pleno gôzo de nossa capacidade como sujeitos éticamente construídos e esteticamente sensibilizados para fazê-lo.

                                                       ***

Paulo Timm , 65 – Economista, Pós Graduado pela ESCOLATINA, Universidade do Chile, Ex Presidente do Conselho de Economia DF, Ex Diretor Técnico da CODEPLAN – 1991-92, Secretário do Meio Ambiente 1993

Março , 05 – 2010 – paulotimm@hotmail.com

 



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Marcello Cavalcanti Barra
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Manifestantes foram às ruas pedir que Arruda continuasse na PF

Uma passeata liderada por estudantes atravessou o Eixo Monumental. Eles saíram do Palácio do Buriti no final da tarde. Na rodoviária, receberam apoio. Os manifestantes sentaram no asfalto e pararam o trânsito. Depois, continuaram a caminhada pela Esplanada dos Ministérios. No início da noite, chegaram ao Supremo Tribunal Federal. Eles pediam que o governador continuasse preso.

"Arruda na Papuda e o PO no xilindró", era o grito dos manifestantes.

Quase três horas após o início do julgamento, a chuva espantou os manifestantes. Ninguém ficou do lado de fora do Supremo pra ver o resultado da sessão.

Confira o vídeo com a entrevista completa com o professor da UnB e cientista político Leonardo Barreto. Ele faz uma analise dos fatos políticos dos últimos dias

Luísa Doyle / Edson Cordeiro / Romildo Gomes

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A mudança de postura entre os distritais é muito comum

Com a prisão de José Roberto Arruda, os aliados se assustaram e trataram de mostrar que não precisa de intervenção federal, que pode fazer uma devassa nos contratos.

José Roberto Arruda e Raimundo Ribeiro já ficaram várias vezes lado a lado. Batista das Cooperativas de mãos dadas com o governador em diversos momentos. Alírio Neto ouviu conselhos durante a posse de policiais civis. E Cristiano Araújo ressaltou a parceria no Paranoá.

As fotos ainda estão nas páginas que os deputados mantém na internet. Mas a opinião sobre Arruda mudou. E muito nos últimos dias. "Eu acho que é uma questão insustentável", afirma o deputado Batista das Cooperativas (PRP).

Antes, alguns até tentaram encerrar as investigações. "Todos os atos estão nulos. É muito claro", declarou o deputado Alírio Neto (PPS).

Depois, veio o esclarecimento - que virou piada - de que tudo foi apenas um mal entendido. "Encerrar os trabalhos não é encerrar a CPI. E pode rir quem quiser", explicou a deputada Eliana Pedrosa (DEM).

Nessa quinta-feira, dia 4, o voto "sim" para o impeachment mostrou que fora do poder, José Roberto Arruda realmente perdeu amigos e aliados. Até quem ficou de fora da votação opinou. No diário que mantém na internet, Eurides Brito, escreveu que ouviu a seguinte frase: "Na Câmara não existe amizade. Existem interesses, que vão e vem". E, sendo assim, segundo ela, "Arruda já era".


Leonardo Ribbeiro / Rafael Sobrinho

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Em dois julgamentos históricos, Arruda, governador afastado, perde por ampla maioria

Supremo Tribunal Federal nega habeas corpus e mantém José Roberto Arruda detido na PF. Na Câmara, distritais aprovam por unanimidade abertura do processo de impeachment

Publicação: 05/03/2010 07:55 Atualização: 05/03/2010 08:40

» ANA MARIA CAMPOS
» ADRIANA BERNARDES
» LILIAN TAHAN
» LUÍSA MEDEIROS
» DIEGO ABREU


Afastado do governo e preso na Polícia Federal (PF) há três semanas, José Roberto Arruda sofreu ontem duas grandes derrotas nos poderes Legislativo e Judiciário. Por volta das 18h20, a Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu, por unanimidade, abrir o processo de impeachment contra Arruda. Às 22h57, após quatro horas e 31 minutos de julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) recusou, por ampla maioria, o pedido de habeas corpus e manteve o governador afastado e preso.

No STF, o placar final ficou em 9 a 1. O único voto a favor do governador foi proferido por José Antônio Dias Toffoli, o mais novo e mais recente ministro nomeado na Corte. Todos os demais ministros seguiram o relator, Marco Aurélio Mello, que defendeu a manutenção da prisão. "Ressalto a premissa maior deste julgamento: a lei, documento abstrato, é universal. Assim o requer a República, assim o requer a democracia, assim o exige o povo brasileiro, assim há de pronunciar-se o Judiciário", escreveu

Mello em seu voto. "É tempo de perceber-se a eficácia da ordem jurídica e a atuação das instituições pátrias. Paga-se um preço por viver-se em um Estado de direito."

À exceção de Toffoli, um a um os ministros se manifestaram favoráveis à manutenção da prisão. "Dói na alma e no coração ver um governador sair do palácio para a cadeia. Mas o fato é que há quem chegue às maiores alturas para fazer as maiores baixezas", afirmou em seu voto o ministro Carlos Ayres Britto. Cezar Peluso também defendeu que a prisão não precisaria ter sido previamente autorizada pela Câmara Legislativa. "Se não houver a possibilidade de decretação de prisão preventiva no caso em que o suspeito está atrapalhando as investigações, é inútil haver as investigações", afirmou.

Com a decisão do Supremo, Arruda tem poucas perspectivas de ganhar a liberdade a curto prazo. Sua prisão preventiva deve perdurar durante toda a instrução do processo, o que pode levar meses ou mais de um ano. O principal caminho da defesa seria pedir o relaxamento da prisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que no último dia 11 determinou sua detenção também por ampla maioria (12 votos a dois).

Na Câmara Legislativa, Arruda também saiu derrotado. Por 19 votos a zero — além de três ausências e uma abstenção —, o Legislativo, que há um mês era controlado por uma ampla base governista, decidiu abrir o processo de cassação contra Arruda. Não compareceram à sessão os deputados Aguinaldo de Jesus (PRB), Wigberto Tartuce (PMDB) e Eliana Pedrosa (DEM). Washington Mesquita (PSDB) se absteve. Com a abertura de processo, assim que for notificado, Arruda terá 20 dias para apresentar sua defesa.

» No STF, derrota por 9 a 1

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) não teve intervalo. Na maior parte das quatro horas e 31 minutos de duração do julgamento, os ministros debateram sobre a necessidade de submeter o pedido de prisão do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) à Câmara Legislativa, um dos pilares da defesa, que acabou derrotada por nove votos a um — o ministro Eros Grau não participou do julgamento por estar fora de Brasília.

Outro tema de debate girou em torno do voto do ministro relator do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Fernando Gonçalves, no dia da decretação da prisão. Em voto em 11 de fevereiro, ele utilizou parte do parecer da Procuradoria-Geral da República. Além disso, a defesa sustentou que Arruda não teve direito a ampla defesa em nenhum dos casos.

Com a decisão de ontem, de manter a prisão do governador mesmo sem autorização da Câmara Legislativa, reforça-se o entendimento de que o dispositivo da Lei Orgânica do DF é inconstitucional. A jurisprudência pode, inclusive, ser usada em julgamentos semelhantes de outras unidades da Federação. Em seu voto, o ministro Joaquim Barbosa foi categórico na defesa de que a necessidade de autorização da Câmara é inócua. "Fizeram uma analogia ao que existe na Constituição em relação ao presidente da República, mas o chefe de Estado tem prerrogativas muito diferentes. O que se aplica a ele, não pode ser adotado, por simetria, aos governadores", destacou.

A questão, no entanto, não é consenso. O único voto favorável ao habeas corpus, do ministro José Antônio Dias Toffoli, baseou-se justamente neste ponto. No entendimento dele, Arruda só poderia ser preso após permissão do Poder Legislativo. O último votar, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, ponderou que é preciso cautela ao analisar o assunto. Ele vislumbra que, ao acabar com a prerrogativa da Câmara Legislativa, corre-se o risco da banalização de processos contra prefeitos e governadores.

A defesa sustentou que o governador tem sido vítima de perseguição. E que não há nada na investigação de suposta tentativa de suborno que demonstre o envolvimento direto de Arruda nas negociações. O advogado Nélio Machado questionou os ritos da concessão do pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal ao STJ. Segundo ele, o pedido sequer passou pelo protocolo, seguindo direto para o gabinete do ministro Fernando Gonçalves. Procedimento esse que, segundo os ministros, é usual em caso de pedido de prisão preventiva para evitar o vazamento de informações. (AB e AMC)

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Esta matéria tem: (21) comentários

Autor: neide aguiar
O Toffoli é tão insignificante que nem a foto colocaram. Bem que o Álvaro Dias avisou. Não basta ser apadrinhado tem que ter idoneidade moral, elevado saber jurídico e reputação ilibada.Esse peso morto vai ficar ocupando o lugar de quem teria competência p/o cargo.

Autor: diogo ramalho
Paciência Paciente Arruda. Seu lugar é na Papuda agora. O que era sonho virou realidade! Tem mais gente pra fazer companhia e virarem pessoas pacientes, como o Arruda e o Naves!

Autor: Alberto Oliveira
É facil chutar cachorro morto Por que os honoráveis ministros não prenderam LULA PALOCCI e Zé DIRCEU Porque não pediram o impeachment do LULA Porque o RORIZ MAGELA PO e toda a CLDF ainda estão soltos ARRUDA não seja bode expiatorio FALA ARRUDA FALA conta tudo sobre todos seja nosso anti heroi heroi

Autor: Paulo martins
A credibilidade da justiça está nas mãos desses ministros.e a sociedade ve a segurança do sistema nos seus julgamentos evidentemente existe sempre um para atrapalhar. olho nele.prevaleçeu a maioria isso é justo aos olhos da verdade.falta prender os outros que provocaram esse tsunami politico.

Autor: Paulo martins
OS JUIZES JULGAM,OS GOVERNOS GOVERNAM,OS LADROES ROUBAM,OS PARLAMENTARES PARLAMENTAM E O POVO.O POVO É QUEM É PACIENTE. CHAMAR BANDIDO DE PACIENTE E PACIENTE E O QUE ENTÃO.FRASE INFELIZ DA MINISTRA ELLEN. poderia dizer do presidiario,o acusado,o reu,o individuo,o governador ou mesmo o cidadão detido

Autor: Márcia CS
Brilhante julgamento! Ficou muito claro para os brasilientes os fatos que levaram o Arruda para a cadeia. As novas informações sobre os colegas presos agindo para blindar o governador e inibir a lisura das investigações foram o combustível que faltava para a manutenção da prisão. Parabéns STF!! ;)

Autor: edson gonçalves
cadê o comentário do Tofolli?....sejam democráticos..coloquem todos

Autor: raimundo perna
Bom para Brasília.A gente começa ter a sensação de que tem uma luz no fundo do túnel.Agora esperamos que Deus tenha piedade de sua alma,porque o corpo dele tem que pagar os feitos que esse bandido causou aos seus eleitores.Graças a Deus tem o supremo.Juizes agem sob o julgo de DEUS.Justiça nele.

Autor: Wellida Reis
Parabéns aos Ministros da suprema corte. Agora resta saber se os demais envolvidos tb irão para cadeia.... Eurisde Brito, Brunelli etc... estamos esperando.

Autor: Guilherme Rbr
Arruda, coloque um roupão e comece a assistir o Chaves e anotar as receitas da Ana Maria Braga...

Autor: Enio Silva
esta se tornando um país de leis para os inimigos e benevolência para os amigos.Se dizem tão conhecedores de leis que não esperam as mesmas serem revogadas mas a bel prazer rasgam os códigos legais como se não tivessem nunca existido.Isso não é justiça é uma imoralidade.De suprema so sobrou o nome.

Autor: Enio Silva
feito é rasgar a constituição da república por mero casuismo e sim trabalhar para mudar a legislação respeitando as regras constitucionais e repúblicanas.O fato é que turbinados pelo clamor social os ministros do STF meteram os pés pelas mãos e rasgaram a lei e não admitirão nunca o deslize.O Brasil

Autor: Enio Silva
a inconstitucionalidade das constituições estaduais do restante da federações. O que fica parecendo é que houve uma pitada de casuismo e oportunismo pelos magistrados da Suprema Corte o que não deveria ocorrer.Se não estão satisfeitos ou não concordam com a legislação em vigor o que não deve ser ....

Autor: Enio Silva
Devemos ficar atentos de agora em diante se estas decisões irã alcançar todas as unidades da federação visto que o dispositivo de a assembleia legislativa dar permissão para que se abra um processo de julgamento contra governador, consta de todas as constituições estaduais e nunca foi aguída a .....

Autor: marcos vinicius
PARABÉNS SENHORES MINISTROS VOTARAM APENAS SEGUINDO O QUE DIZ A LEI, MANDARAM UM RECADO MUITO SIMPLES NINGUEN ESTÁ ACIMA DA LEI,HOJE EU POSSO SENTAR EM FRENTE A TV COM MEU FILHO E MOSTRA-LHE O QUE É CERTO E ERRADO E QUEM ROUBA VAI PARA A CADEIA. HOJE É UM DIA MUITO FELIZ É O FIM DA ARROGÂNCIA ...

Autor: iracema moreira
Parabéns STF!Vcs lavaram minha alma.Obrigada!!!!!!!!!!!!!!!!!

Autor: nelson martins martins
Parabéns aos nove ministros e uma vaia para o despreparado Dias Toffoli que está pensando que ainda é advogado PT, ou não mora em brasília vamos torcer para ele ficar sempre no baixo clero do STF.

Autor: willson lelis
"Mas o fato é que há quem chegue às maiores alturas para fazer as maiores baixezas,afirmou em seu voto o ministro Carlos Ayres Britto."Com esta frase,resume o crápula travestido de mocinho (Arruda).Parabéns pelas honradas palavras e, principalmente,pelo voto contra o HC.Caso fosse solto, os outros...

Autor: Henrique Melo
CUIDADO COM O RORIZ!!!!

Autor: Janderson Cruz
De "O Governador" para "O Paciente", parece até nome de filme. Arruda, o Paciente. Só espero estar vivo para ver o Roriz , a Velha Cara de Pau Eurides Brito e todos os demais virarem "Os Pacientes".

Autor: Valmir Francisco Valmir
Arruda deve continuar preso ser julgadoe pagar a sua culpa, ele so não muitos safados por este brasisão com muitos politicos ladões.



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Marcello Cavalcanti Barra
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Mais sobre as manifestações de ontem


http://dftv.globo.com/Jornalismo/DFTV/0,,MUL1516761-10041,00-MANIFESTANTES+FORAM+AS+RUAS+PEDIR+QUE+ARRUDA+CONTINUASSE+NA+PF.html
 
 
 
Manifestantes foram às ruas pedir que Arruda continuasse na PF
Antes e durante o julgamento, os estudantes voltaram às ruas. Eles fizeram uma passeata e pediram a permanência do governador na prisão.
Uma passeata liderada por estudantes atravessou o Eixo Monumental. Eles saíram do Palácio do Buriti no final da tarde. Na rodoviária, receberam apoio. Os manifestantes sentaram no asfalto e pararam o trânsito. Depois, continuaram a caminhada pela Esplanada dos Ministérios. No início da noite, chegaram ao Supremo Tribunal Federal. Eles pediam que o governador continuasse preso.

"Arruda na Papuda e o PO no xilindró", era o grito dos manifestantes.

Quase três horas após o início do julgamento, a chuva espantou os manifestantes. Ninguém ficou do lado de fora do Supremo pra ver o resultado da sessão.

Confira o vídeo com a entrevista completa com o professor da UnB e cientista político Leonardo Barreto. Ele faz uma analise dos fatos políticos dos últimos dias

Luísa Doyle / Edson Cordeiro / Romildo Gomes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adriano Dias
Coordenador Geral do CALET-www.caletunb.org.br
Coletivo Vamos à luta-www.juvvamosaluta.blogspot.com
 

 



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Manifestantes do movimento "Fora Arruda e toda Máfia"

 
Manifestantes do movimento "Fora Arruda e toda Máfia" acompanham votação no STF
Publicação: 04/03/2010 19:25 Atualização: 04/03/2010 22:30


Manifestação do "Fora Arruda e Toda Máfia" em passeata rumo ao Supremo Tribunal Federal
Cerca de 300 manifestantes do movimento "Fora Arruda e toda Máfia" seguiram em passeata para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde os ministros julgam o pedido de habeas corpus em favor do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), nesta quinta-feira (4/3).
 
Os integrantes do grupo se concentraram por volta das 17h em frente ao Palácio do Buriti, onde também fizeram um ato contra o governador afastado.
Saiba mais...

 


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Reforma agrária

Óbvio que precisamos de reforma agrária. Todo mundo acha linda a França. E é linda porque não existe o latifúndio. São pequenos proprietários que produzem alimentos típicos. A revolução francesa fez isso: tornou a propriedade mais igual e justa.

No Brasil, chega a 80% a comida que comemos e que vem da agricultura familiar, do pequeno agricultor.

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